Autora:

Letícia Elena Ito

Diretora do Think Tank PVBLICA

 

Os think tanks são organizações que executam estudos na área de políticas públicas e através de pesquisas e análises fornecem aporte aos tomadores de decisão (MCGANN, 2016).

Essas instituições muitas vezes atuam como uma ponte entre as comunidades acadêmicas e políticas e entre os estados e a sociedade civil, servindo no interesse público como vozes independentes que traduzem pesquisa aplicada e básica em uma linguagem compreensível, confiável e acessível para os formuladores de políticas e o público (MCGANN, 2016).

 

Os think tanks se destacam por serem inovadores, principalmente na área de análise de políticas públicas. Enquanto empresas de consultoria aplicam métodos já estabelecido para resolver as demandas, os think tanks criam novas estratégias e métodos (SECCHI, 2013).

O desenvolvimento e o aumento do número de think tanks, segundo Stone (2000), ocorreu em três momentos. O primeiro, período anterior a Segunda Guerra Mundial, se deu porque a alta sociedade norte americana e europeia já apresentava maior grau de escolaridade e demandava discussões mais aprofundadas. O segundo momento transcorreu no período da Guerra Fria, pois havia a preocupação com assuntos que envolviam política externa, bem como políticas sociais e econômicas. Nesse período o número de think tanks aumentou consideravelmente em países como EUA, Alemanha, Áustria e Grã-Bretanha; e numa proporção bem menor em países em desenvolvimento.

O terceiro momento efetuou-se quando os países começaram a realizar encontros supranacionais para debater e encontrar soluções a determinados problemas, como por exemplo, a crise do petróleo, conversas sobre a sustentabilidade, entre outros (STONE, 2000).

De acordo com o relatório de McGann (2016), existem 6.846 think tanks espalhados pelo mundo:

No momento atual, os think tanks atuam, basicamente, em três vertentes:

  • Análise de política pública;
  • Geração e difusão de conhecimento na área de políticas públicas
  • Advocacy: que envolve a formação de agenda, ou seja, os think tanks influenciam a agenda de políticos, instituições ou da sociedade para colocar em pauta assuntos relevantes que normalmente derivam de um conjunto de problemas (STONE, 2007; SECCHI, 2013; MCGANN, 2016).

Ademais, a estrutura dos think tanks influencia em seu modus operandi, como demonstra McGann:

 

No Brasil o termo “think tank” não é popular, apenas os acadêmicos e profissionais que participam das comunidades epistêmicas de políticas públicas que possuem familiaridade (SECCHI; ITO, 2014).

Os primeiros think tanks brasileiros, segundo Secchi e Ito (2016), surgiram entre 1940 e 1950. Em 1944 o DASP- Departamento Administrativo do Serviço Público- fomentou a criação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para auxiliar na resolução dos problemas públicos de forma a produzir conhecimento aplicado. Em 1954 foi fundado o Instituto Brasileiro de Relações Internacionais (IBRI). Já em 1955, criou-se o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb).

                O Instituto PVBLICA foi reconhecido pelo McGann (2013) como melhor novo think tank:

 

 

McGann (2016) localizou 89 think tanks no Brasil. Numa classificação Top Think Tanks do mundo todo realizado por McGann, 2016), há dois representantes brasileiros de 175 think tanks avaliados: FGV (9º lugar) e a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP em 122º).

 

Considerações Finais

Apesar dos think tanks estarem presente no Brasil desde meados da década de 40, ainda é preciso fortalecer e propagar essas organizações. Através dos think tanks é possível entregar melhores políticas públicas para os cidadãos brasileiros.

Desse modo, também se faz necessário maior fomento dessas entidades, além de estudos sobre os think tanks e seus impactos. Inclusive, considerando o ambiente e cultura em que estão os think tanks brasileiros.

 

REFERÊNCIAS

 MCGANN, James G. 2016 Global Go To Think Tank Index Report. Pennsylvania: University of Pennsylvania Press, 2016.

SECCHI, Leonardo. Políticas Públicas: conceitos, esquema de análise, casos práticos. 2.ed. São Paulo: Cengage Learning, 2013.

SECCHI, Leonardo; ITO, Leticia E. Brasil. In: RIED, J. J. B.; CEDEÑO, O. J. B.; ALBUJA, A.M.A. Más saber América Latina: potenciando el vínculo entre think tanks y universidades. Quito: Grupo Faro; CPCE, 2014.

SECCHI, Leonardo; ITO, Leticia E. Think tanks e universidades no Brasil: análise das relações na produção de conhecimento em política pública. In: Planejamento e políticas públicas. n.46, Jan/Jun. Brasília: Ipea, 2016.

STONE, Diane. Think Tank Transnationalisation and Non-Profit Analysis, Advice and Advocacy. United Kingdom: University of Warwick Institutional Repository, 2000.

STONE, Diane. Recycling bins, garbage cans or think tanks? Three myths regarding policy analysis institutes. United Kingdom: University of Warwick Institutional Repository, 2007.